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O Glória Não é um Hino Trinitário

O Glória Não é um Hino Trinitário

Conforme nos aproximamos da Solenidade da Santíssima Trindade, torna-se pertinente visitar um tema que frequentemente suscita dúvidas: o fato do Hino do Glória não ser um canto trinitário.

É muito comum encontrarmos no repertório e no imaginário popular de muitas comunidades e paróquias a noção de que o Hino do Glória seria um Hino Trinitário.

Diversas composições fazem menção, em suas estrofes, ao Deus Pai, Deus Filho e Deus Espírito Santo. É importante que tenhamos clareza e segurança para saber que estas peças não podem ser usadas durante a liturgia para o momento do Glória.

O Glória é um hino antiquíssimo e venerável pelo qual a Igreja, congregada no Espírito Santo, glorifica e suplica a Deus Pai e ao Cordeiro. O texto deste hino não pode ser substituído por outro.

Reforço aqui o caráter do Hino do Glória por meio dos comentários do Pe. Ocimar Francatto:

O Hino do Glória é um hino cristológico, pois o Cristo se mantém no centro de todo o hino. Ele é o “Kyrios”, o Senhor, que desde todos os tempos habita na Trindade.

É um hino em prosa lírica. Um tesouro da oração cristã que tem sua origem nos primeiros séculos. Trata-se de uma compilação de elementos que evoluíram, mas cuja estrutura atual é muito clara.

Depois de mais de mil anos, cantamos com as palavras daquelas mesmas comunidades antigas. Sinal de comunhão que atravessa os séculos. As palavras dos anjos na noite do Natal: “Glória a Deus nas alturas, e paz na terra aos homens por Ele amados” (Lucas 2, 14).

O Hino do Glória é um canto completo, tem: louvor, entusiasmo, doxologia e súplica.

Pacificada esta questão, pode surgir a seguinte dúvida: e os cantos trinitários que fazem parte do imaginário e da experiência de fé de tantas comunidades? Devem ser simplesmente abolidos?

Não necessariamente. Enquanto é fato que não podem ser utilizados para o momento do Glória dentro da liturgia, são opções viáveis para canto de saída e mesmo canto de entrada nas ocasiões apropriadas, como por exemplo a Solenidade da Santíssima Trindade.

Desta forma, é perfeitamente possível agregar e harmonizar a escolha liturgicamente adequada do repertório musical a ser utilizado na liturgia sem desatender as particularidades e eventuais preferências das comunidades.

Tudo ordenado para a Glória de Deus e a Santificação dos Fieis

Lucas Casagrande

Este post tem 2 comentários

  1. Olá , boa noite, Salve Maria Santíssima!
    Gostaria de obter alguns conselhos para adquirir mais conhecimentos sobre música sacra e litúrgica
    Entre outras palavras, gostaria de saber sobre documentos da igreja, livros e referências para um bom desenvolvimento dentro desse aspecto.

    1. Olá, Éverson!

      Uma boa forma de iniciar os estudos é pelas Encíclicas e Documentos da Igreja:

      • PIO X, Motu Proprio “Tra le sollicitudine” sobre a música sacra (1903).
      • PIO XI, Constituição Apostólica “Divini Cultus” sobre liturgia, canto gregoriano e música sacra (1928).
      • PIO XII, Encíclica “Musicae Sacrae Disciplina” sobre a música sacra (1955).
      • SAGRADA CONGREGAÇÃO DOS RITOS, Instrução sobre a música sacra e a sagrada liturgia (1958).
      • CONCÍLIO VATICANO II, Constituição sobre a Sagrada Liturgia (1963).
      • SAGRADA CONGREGAÇÃO DOS RITOS, Instrução sobre a música na sagrada liturgia (1967).
      • JOÃO PAULO II, Quirógrafo sobre a música litúrgica (2003).
      • INSTRUÇÃO GERAL DO MISSAL ROMANO E INTRODUÇÃO AO LECIONÁRIO, Edições CNBB (2008).

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