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A Participação Ativa

A Participação Ativa

Um dos conceitos centrais para o reto entendimento dos documentos da Igreja sobre a Liturgia em geral e sobre a Música Litúrgica em particular é o de Participação Ativa.

A Participação Ativa aparece em diversos textos e em diferentes contextos, sendo sempre estimulada e não raro aparecendo como critério para avaliar a adequação de cantos em determinados momentos litúrgicos.

Uma leitura mais superficial pode levar ao erro de confundir Participação Ativa com participação visível. É bem verdade que a Participação Ativa muitas vezes é visível, mas nem toda Participação Ativa é visível e nem toda a participação visível é ativa. Vou explicar melhor.

Quem entre nós nunca se dispersou, se perdeu em pensamentos, ao participar de uma Missa, que atire a primeira pedra. Já aconteceu comigo mais vezes do que gostaria de admitir. Muito bem, quem já passou por esta situação, ou ao menos consegue imaginá-la, não terá dificuldades em entender que nem toda participação visível é ativa.

Quando nos dispersamos na missa, não cessamos de participar externamente, de forma visível. Fazemos os gestos apropriados, respondemos as preces e recitamos as orações adequadas a cada momento, porém nossa atenção, nosso foco, nossa consciência não está em harmonia com os movimentos do nosso corpo.

Enquanto os lábios recitam a oração do Pai Nosso, e um observador externo poderia nos considerar um modelo de piedade e participação, nossa atenção voa longe. Estamos somente de corpo presente. Este tipo de participação é visível, mas de forma alguma é ativa.

Quero agora ilustrar o caso contrário, quando a participação não é visível, mas é ativa.

Primeiro, pense em uma pessoa que, durante o Ato Penitencial, participa visivelmente cantando o canto proposto, mas sem refletir sobre seus próprios pecados e sobre a infinita e imerecida misericórdia de Deus.

Agora, durante o mesmo momento, pense em uma pessoa que, embora não esteja cantando nem emitindo qualquer som, está ouvindo a letra e a melodia do canto e dirigindo sua atenção para seu interior, refletindo sobre suas faltas, sobre como elas o afastam de Deus e do plano de Deus para sua vida. Isto a leva a cultivar o desejo de contrição, de se emendar, de amar a Deus. Por fim, leva a um sentimento de gratidão pela imerecida graça da redenção e participação dos Santos Mistérios que estão sendo celebrados.

Neste último caso a participação não é visível, mas é ativa.

Para esta primeira abordagem é isto que gostaria de acentuar: participar ativamente não é o mesmo que participar visivelmente. Em muitos momentos somos chamados a participar ativamente sem que essa participação se externalize em um gesto, fala ou canto. Outras vezes, embora visivelmente façamos os gestos e respondamos as preces, nossa atenção não se faz presente neste ato e a participação não é ativa.

Entender a Participação Ativa em toda sua grandeza e complexidade é fundamental!

Na Música Litúrgica de modo particular, entender que é necessário conjugar a acessibilidade do canto, o convite para que a assembleia cante, com uma melodia e interpretação que permitam a reflexão, o entendimento e o aprofundamento das orações cantadas.

Por: Lucas Casagrande

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